domingo, 26 de novembro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 17






Ana saiu da casa sentindo as lagrimas manchando seu rosto. Ela sabia que ele não acreditaria nela, mas ela tinha que tentar.
Entrou em seu carro e deu partida, contudo a picape azul não andou nem quinhentos metros antes de morrer. Ela tentou ligar novamente, porém não funcionava. Ela pegou seu celular, mas a bateria havia acabado, e para piorar sua situação, uma tempestade parecia se formar no céu. Ana tentou ligar o carro mais uma vez, contudo não funcionou, ela ficou sentada esperando enquanto chorava.
Tyler ainda atordoado com o encontro adentrou em seu quarto e olhou em cima da cama. O cheque com o valor total dos serviços de Ana estava lá — ela havia devolvido cada centavo — e junto ao dinheiro havia uma carta. Ele se sentou na cama pensando em guardar o papel, mas a curiosidade foi maior. Ele queria saber o que ela tinha a dizer. Precisava saber.
Querido Tyler,
 Eu passei muito tempo tentando decidir o que dizer. Eu deveria dizer que sinto muito pelo acordo que fiz com seu pai, mas não sinto.
Eu não sinto em ter aceitado o acordo com seu pai, porque assim eu conheci você. Eu vi o que ninguém viu, senti por você o que ninguém sentiu. Vi você deixar de ser pouco a pouco aquele Tyler fechado e ranzinza e se transformar na antiga versão de você, bom, eu não sei se você era carinhoso e amoroso como era comigo, mas se sua antiga versão era assim... É bom, muito bom. Quer dizer, agora é uma versão até melhor.
A parte que eu lamento foi a de ter escondido isso de você. Eu pensei que você não entenderia – como poderia? — e hoje percebo que errei. Acho que se eu tivesse contado tudo e explicado meus motivos, talvez você tivesse entendido, eu sei que sim, mas meu medo de destruir tudo que tínhamos foi maior.
O motivo, claro. Sorrio sem humor enquanto o descrevo.
Um das poucas pessoas que se importaram comigo é o motivo, minha tia Louise está com câncer, essa maldita doença que destrói aos poucos o paciente e as pessoas a sua volta. Não tenho palavras para descrever o quanto amo Louise, então cogitar a possibilidade de nunca mais vê—la, nunca mais ouvir a voz dela e sentir seu carinho estava me matando. Eu precisava ajuda-la, Tyler, eu não sei se você consegue entender a minha dor, mas é insuportável.
A única forma de ajuda-la que eu encontrei foi com a proposta de seu pai, me perdoe, Tyler, isso não justifica minha ação. As coisas mudaram com o decorrer do tempo, me vi perdidamente apaixonada por você. Felizmente Louise foi escolhida para participar de um tratamento que está se mostrando bastante eficiente.
A dor que ela sentia diminuiu, contudo a minha aumentou.
Eu realmente sinto que as coisas tenham acabado desse jeito e espero que você não volte a se isolar. E se eu puder fazer um pedido:
Por favor, não afaste seu pai.
Ele realmente se importa com você. Eu sei que sim!
Só espero que depois de tudo isso, você não pense que tudo que fiz foi pelo dinheiro. No começo sim, mas deixou de ser há muito tempo. Eu realmente amei e ainda amo você com todo meu coração, e por isso eu espero que um dia você possa me perdoar por não ter sido totalmente verdadeira com você, e que talvez possamos ser amigos.
Com todo meu amor, Ana.
Tyler olhou para a carta sentindo um aperto no peito. Essa mulher, que ele por tantas vezes havia tentado se livrar, o amava. Com todas suas forças, ela o amava. Tyler sabia que Ana precisava do dinheiro para o tratamento da tia, mas como ele pôde duvidar do amor que ela sentia por ele?
Ele caminhou para fora do quarto com o celular na mão já ligando para ela, mas caia na caixa postal. Ele desceu as escadas o mais rápido que suas pernas conseguiam e quando ia saindo de casa pronto para chamar um táxi viu a chuva que caia. O telefone chamava enquanto ele olhava para fora, com esperanças que ela ainda não tivesse partido.
Companhia de táxi. — A moça do telefone disse e no instante em que ia responder ele avistou o carro de Ana parado a alguns metros de sua casa. — Companhia de táxi, em que posso ajudá-lo? — Repetiu.
— Não precisa mais, obrigado. — Ele desligou e começou a correr o mais rápido que podia, o que não era muito por conta do acidente e das sequelas que ele trouxe.
Ana desceu do carro para abrir o capo e tentar descobrir o problema, mas a chuva estava cada vez pior e quando a porta do carro bateu, ela não pôde acreditar em sua sorte: ficou trancada para fora, na chuva.
— Sério universo? — Perguntou olhando para o céu.
Ela tampou os olhos com as mãos e quando destampou pôde ver alguém vindo em sua direção.

Tyler corria o mais rápido que sua perna deixava. Ana havia acabado de ver quem vinha em sua direção. Era ele. Era o Tyler. Ana começou a caminhar em direção a ele e em alguns segundos já estava correndo.
— Tyler! — Ela disse parando a uma distancia segura dele. Se ele se aproximasse mais, ela não seria capaz de se controlar. Apesar de tudo que ele havia dito, ela ainda o amava com todas as suas forças.
— Eu li sua carta. E eu quero dizer, que depois que conheci você, não voltei a ser a antiga versão de mim. Porque aquela versão era vazia, e não sentia nada do que eu sinto hoje. O que eu sento por você. Eu fui um idiota por ter te mandado embora sem chance de explicar e ...
— Tyler...
— Não. Me deixa terminar. Aliás, eu não fui um idiota, eu sou um. Quase deixei meu orgulho te tirar de mim. Você devia ter contado sobre o acordo, mas eu também devia ter ouvido. E eu não posso descrever a dor que eu senti quando vi você passar por aquela porta. Ainda mais depois de ler a carta.
— Você a leu toda? — Ana perguntou preocupada.
— Li. E quanto ao seu pedido, não se preocupe. Não vou afastar meu pai. E também vi o cheque na cama. Agora eu percebo que você talvez tivesse medo da minha reação, então eu perdoou você por ter escondido as coisas de mim, Ana. — Ele disse e ela começou a abrir um sorriso. — Mas não acho que possamos ser amigos. — Ele disse e o sorriso dela morreu.
— Não?
— Não. Eu sinto muito.
— Tudo bem. Você veio até aqui. Eu pensei... – Ana suspirou.
— Eu sinto muito que eu não possa ser apenas seu amigo. Porque as coisas que eu penso quando estou com você... — Ele disse dando um passo à frente. — Não são coisas que amigos pensam um do outro. E nem as coisas que eu quero fazer com você.
— Que coisas você quer fazer? — Ana perguntou mordendo o lábio e suspirando.
— Eu quero beijar cada pedaço do seu corpo, e vendo você assim, eu quero tirar essa blusa do seu corpo e fazer amor com você. — Tyler disse olhando para a blusa que Ana vestia. Era uma de mangas longas, mas era branca e justa e estava completamente transparente por causa da chuva e mostrava o sutiã azul escuro que ela usava.
Felizmente estavam apenas os dois na rua, então ninguém além dele poderia se deliciar com tal cena.
— E eu posso ser egoísta em te pedir isso depois de tudo que eu te disse, mas fica comigo? Fica comigo, e deixa eu amar você, e se depois você não se convencer de que eu a amo de todos os modos que uma pessoa pode amar outra, eu prometo que te deixou em paz.— Ele disse e Ana ficou tão desnorteada com as palavras de Tyler que tudo que pôde fazer foi assentir.
Tyler olhou para a boca de Ana e a puxou para um beijo enquanto a chuva despencava.
—Vamos sair daqui. — Ela disse entre o beijo. — Você vai se resfriar. — Preocupou-se.
—A chuva já vai passar. — Ele respondeu a apertando mais em seus braços. — Eu não vou me resfriar.
—Teimoso. — Ela disse suspirando e voltando a beijá-lo, mas ele a afastou, acariciando seu rosto.
—Você é mais. Não desistiu de mim.
—Você vale à pena. — Ela disse sorrindo.
—Me promete que é para sempre?
—Eu prometo. — Ela respondeu voltando a beijá-lo sem ligar para as gotas grossas de água que caiam do céu.
A chuva mostrava que não ia acabar então Ana deixou o carro estacionado na rua e correu para a casa de mãos dadas com Tyler.
Eles chegaram na casa completamente molhados. Tyler não perdeu tempo e a empurrou contra a parede beijando seu pescoço.
—Senti tanto sua falta. — Ele disse gemendo.
—Percebi. — Ela disse sorrindo. — Eu também senti. Muito. — Ele pegou a blusa dela a rasgando, enquanto ela tirava a blusa dele, e a jogando no chão. Eles foram andando aos tropeços entre os beijos pelo corredor deixando uma trilha de roupas molhadas. Ana não aguentava mais esperar e o empurrou em direção ao escritório. Ele vestia apenas uma cueca boxer e ela seu conjunto azul.
—O que está fazendo? — Ele perguntou entre os beijos enquanto ela o empurrava escritório adentro.
— Eu preciso de você. Agora. — Ela disse impaciente o fazendo sorrir.
— E você me tem. Para sempre se quiser, mas eu não vou ficar com você na poltrona. Não esta noite pelo menos. Essa noite nós vamos subir e eu vou fazer amor com você. A noite toda. Lentamente. — Ele disse com desejo que transbordava em seu olhar e ela assentiu perdida com o desejo que sentia.
Tyler pegou a mão de Ana e a levou pelo corredor. Eles chegaram ao quarto e Tyler voltou a beijá-la com devoção. Ele beijou seu pescoço e Ana fechou os olhos aproveitando cada toque. Ela desceu as mãos pelas costas dele sentindo o calor de seu corpo cada vez mais colado ao dela. Ela desceu mais as mãos até a boxer infiltrando suas mãos e o tocando, fazendo-o gemer. Ele continuou os beijos por sua clavícula enquanto a levava em direção a cama. Tyler desceu a alça do sutiã que ela usava deixando uma trilha de beijos pelo caminho. Em alguns minutos os dois estavam completamente nus. Ele ficou por cima dela e a admirou.
—Tão linda...
—Tyler, por favor... — Ela pediu gemendo, sentindo sua excitação. Ele entrelaçou seus dedos com os dela enquanto a penetrava lentamente e sussurrava palavras de amor.
Eles se moviam em completa sincronia enquanto gemiam e faziam juras de amor. Tyler se sentia outra vez completo agora que ela estava com ele. 
Ana passou suas pernas ao redor da cintura dele e o puxou com os braços o prendendo mais a si. Como se ela tivesse medo que isso fosse um sonho e que se ela o soltasse, ele fosse desaparecer.
—Tyler... Deus... Eu vou... — Ana gemia palavras desconexas.
—Quase lá amor... — Tyler disse sentindo seu membro sendo apertado cada vez mais.
Ele se movia lentamente para que os dois pudessem aproveitar cada sensação. E os corpos, que antes estavam frios pela água da chuva, agora estavam quentes e suados enquanto faziam amor.
Ana o apertou ainda mais com suas pernas e arranhou suas costas enquanto gemia sentindo seu orgasmo a dominar completamente. Tyler rugiu sentindo o nó em seu estomago ficar cada vez mais forte e com mais algumas estocadas seu orgasmo também chegou, o devastando. Sem conseguir mais se segurar ele desabou em cima de Ana, apertando sua cintura.
—Desculpe. — Ele disse tentando sair de cima dela, mas ela o apertou ainda mais forte em seus braços.
—Não. Fica assim. — Ela disse tentando recuperar a fala enquanto ainda sentia os espasmos que seu recente orgasmo havia provocado. — Eu gosto de te ter perto assim. — Ela disse mexendo no cabelo dele que estava completamente bagunçado.
—Isso é bom, porque você não vai se livrar de mim, e eu não pretendo ir a lugar nenhum.
—Isso foi o que eu disse na primeira vez que fizemos amor. – Ela disse sorrindo com as lembranças.
—É a pura verdade. Porque eu descobri que não consigo mais ficar sem você. — Ele disse abraçado a cintura dela enquanto ela brincava com seu cabelo.
—Eu amo você. — Ela disse começando a sentir o sono dominá-la.
—Quase tanto quanto eu amo você.
— Atchim! — Ela espirrou e ele levantou a cabeça a olhando.
—Quem é o teimoso que ficaria resfriado mesmo? — Ele perguntou sorrindo.
—Nem começa. — Ela respondeu sorrindo.
—Não se preocupe. Vou cuidar de você.

—Então o resfriado vai valer à pena. — Ela disse e os dois pegaram no sono agarrados um ao outro.


CONTINUA...


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