segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 16




Ana estava nervosa, mas assim que se sentou na cadeira a raiva tomou lugar. Ela não queria ser mal educada com aquele homem. Ela sabia que tinha culpa por não ter contado a verdade, mas Charles podia ter concordado com o fim do acordo e nada daquilo estaria acontecendo.
— Bem, agora que meu filho já sabe... — Começou, mas ela o interrompeu.
— Sim, ele já sabe. Então parece que meu contrato acabou antes do tempo... — Disse se levantando, já cansada daquele assunto.
— Espere um pouco, Ana. Faltam apenas algumas semanas para o fim do contrato. Eu tenho um escritório no centro onde você pode trabalhar. Até o fim do contrato pelo menos. — Disse, desejando que ela ficasse. Ele podia ver o bem que ela fazia ao seu filho e não queria que ela partisse. — Depois você pode ir embora, se ainda quiser. — Acrescentou.
— Eu posso falar com ele? — Perguntou.
— Ele não está na casa. — Respondeu com uma preocupação visível.
— Não está ou não quer receber visitas?  — Rebateu.
— Não. — Respondeu rapidamente. — Ele realmente não está. Ele tem uma casa de campo. Ele foi para lá.
— Sozinho? E se acontecer alguma coisa? E se... — Preocupou-se e Charles a tranquilizou rapidamente.
— Ana, se acalme. Ele não está sozinho. Um amigo meu está com ele. Ele é fisioterapeuta. Tyler está bem. — Assegurou.
— Eu não entendo. Se ele não quer que eu fique por perto, por que ainda estou aqui? O acordo que fizemos foi quebrado. Ele sabe que o senhor me pagou. — Disse se levantando.
 — O acordo não foi quebrado, Ana. Ele não a mandou embora. — Respondeu. — Isso é diferente.
— Não me mandou embora, mas pediu para me mudar de função. Eu fui contratada para ser assistente do Tyler e agora ele me dispensou, assim como fez com as outras. E como o acordo de confidencialidade foi quebrado e eu não terminei o ano...
— Ana, mesmo que você decidisse sair antes do final do contrato, eu cuidaria dá saúde de sua tia. Apesar de como as coisas estão, você trouxe meu filho de volta a vida. — A interrompeu. — Eu sei que você pode não gostar de mim agora, mas eu não sou um monstro.
— Se você tivesse simplesmente aceitado que eu não queria seu maldito dinheiro, Tyler não teria ouvido aquela conversa e eu poderia ter explicado. Então me desculpe, Charles, mas eu acho que você é sim um monstro. Mas está tudo bem, porque eu também sou ruim. O fiz confiar nas pessoas de novo e agora ele está mais machucado do que antes. — Respondeu caminhando até a porta.
— Então você vai ficar? — Perguntou esperançoso.
— Vou, mas apenas porque eu gosto de terminar o que eu começo. — Respondeu batendo a porta.
Ela pegou um táxi e voltou ao apartamento, encontrando Maggie jogada no sofá, lendo um livro de administração.
— Como foi? Ele te mandou embora? — Perguntou curiosa.
— Não. Mas honestamente, eu preferia que tivesse mandado. — Respondeu se jogando no sofá ao lado de Maggie. Completamente cansada.
— O que acontece? — Preocupou-se
— Tyler não pediu para o pai dele me mandar embora. Pediu para que me mudasse de cargo até o final do meu contrato. E eu vou ficar no escritório do doutor Patz.
— E isso é ruim? — Questionou.
— É claro que é, Maggie. Está claro que ele não me mandou embora porque sabe que eu preciso do dinheiro. Eu consigo conviver com a raiva dele, mas não com a pena. — Respondeu cobrindo o rosto com as mãos e murmurando. — Com a pena não.
— Você conseguiu falar com ele?
— Não. Ele não está na casa. — Respondeu ainda com o rosto coberto.
— Já sei. Porque não faz o que a mamãe ensinou?
— O que? Um bolo? — Perguntou, retirando o rosto de entre as mãos, irônica e Maggie revirou os olhos.
— Não. Uma carta. Você se lembra quando brigávamos? E nós não conseguíamos pedir desculpas com palavras, porque acabávamos brigando de novo?
— Louise dizia que não se pode brigar por carta. Que o que as palavras faladas não conseguem, as escritas alcançam.
— É isso, Ana. Escreva uma carta pra ele contando toda a verdade. O seu lado dá história. — Explicou.
— E se ele simplesmente jogar fora?
— É uma possibilidade, mas duvido que faça. Ele pode até ficar bravo quando souber que é sua, mas aposto que vai ficar curioso pra saber o que você tem a dizer.
— Ótima ideia, Maggie. Vou escrever uma carta. Mas o pai dele não vai entregar. — Respondeu.
— Você ainda tem a chave dá casa?  — Perguntou a observando.
— Maggie, isso é invasão! — Respondeu arregalando os olhos.
— Não se ninguém descobrir. — Rebateu. 
— Você é doida, mas eu te amo. — A abraçou.
As duas conversaram por mais algumas horas, até que Ana foi para o quarto escrever a carta, porém depois de um tempo saiu frustrada.
— Já escreveu? — Maggie perguntou surpresa pela rapidez.
— Quem dera. Eu não consigo colocar tudo em uma carta. Eu poderia mandar um manuscrito. — Respondeu pensativa com o queixo apoiado nas mãos.
— É só dizer como se sente, Ana. Não é tão difícil.
— Talvez para você. Eu não costumo dizer como me sinto, Maggie. Eu nunca havia dito eu te amo a ninguém fora da família. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado me expor assim, mas por alguma razão, eu sentia isso por ele. Eu sentia isso por ele e disse. E agora ele não quer nem me ver. — Respondeu sentindo uma dor no peito.
— Isso é culpa do Julian, não sua. Não há nada de errado em dizer como se sente, Ana. E se não consegue dizer como se sente em apenas uma carta. Escreva várias. — Respondeu como se fosse simples.
Ana voltou para o quarto e quando finalmente havia acabado de escrever umas 10 cartas, ela escolheu apenas uma para entregar à ele.
Semanas se passaram e ela estava no escritório do Charles. Ela faria aquilo que havia dito, terminaria seu contrato e entregaria o maldito cheque para Tyler.
— Aqui está, Ana. Seu cheque. — Charles entregou o cheque para Ana, que pegou sem nem olhar o valor e enfiou na bolsa. — E sobre sua tia, eu disse que cuidaria dela e é o que estou fazendo. Todas as despesas do hospital, onde ela está se tratando, estão pagas. Obrigado, Ana. — Agradeceu a olhando nos olhos. — Mesmo que você não queira mais me ver, ainda sou muito grato pelo que fez ao meu filho.
— Como ele está? — Perguntou desviando o olhar.
— Bem. A fisioterapia tem dado bons resultados. — Respondeu.
— Isso é bom. Eu tenho que ir agora. Tenho umas coisas para resolver. 
— Está bem. E mais uma vez, obrigado, Ana. — Ele agradeceu e ela o olhou pela última vez, lhe dando as costas e passando pela porta.
Entrou em sua Picape e dirigiu até seu apartamento com o rádio ligado.


*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
                        
— Maggie, você tem certeza de que não se importa que eu faça isso? — Perguntou novamente para ter certeza de que a prima não se chatearia.
— Não, Ana! O dinheiro é seu. Você trabalhou por ele e além disso, parece que Louise foi escolhida para um tratamento especial. Com todas as despesas pagas. Ela vai ficar bem. — Respondeu tranquilizando a prima.
— Vai sim. — Ela reafirmou, mesmo sabendo quem estava por trás disso.
— Você vai agora? — Maggie perguntou olhando para a carta e as chaves em sua mão.
— Eu tenho que ir. E se ele me odiar depois disso, sei que fiz tudo que podia.
— Ele vai te perdoar. — Disse confiante, segurando sua mão.
— Eu queria acreditar nisso, Maggie. Queria mesmo. — Respondeu suspirando ao sair do apartamento.
Entrou em sua caminhonete e dirigiu até a casa. No caminho, Gertrudes começou a dar alguns problemas, mas ela resolveria no dia seguinte. Estacionou em frente a casa e desceu a olhando. Aquele lugar onde havia passado momentos tão felizes.
Antes de invadir, ela decidiu bater na porta, mas ninguém atendeu. Então ela pegou sua chave e entrou.
Assim que passou pela porta, um miado conhecido veio até ela. Era o Peludo.
— Ele te deixou sozinho? — Perguntou para o gato que ronronou para ela. Ela foi até a vasilha de comida dele e a encontrou cheia. Pelo menos havia deixado comida.
Ela foi andando pelo corredor até que chegou ao escritório. A porta estava fechada e ela não conseguiu abrir. Ana decidiu que deixaria a carta e o cheque no quarto dele.
Subiu as escadas e entrou no cômodo. A cama estava arrumada e o carrinho de oxigênio estava ao lado. Ela se sentou na cama, se lembrando das noites que passaram ali, amando um ao outro e fazendo promessas para o futuro. Promessas de futuro que não se cumpririam. Ela deixou a carta e o cheque em cima dá cama e foi em direção a porta, mas quando a abriu, trombou com um corpo muito familiar.
— Mas que diabos... — Tyler pulou para trás, assustado.
— Algumas coisas nunca mudam. — Comentou, tentando aliviar o clima.
— O que você faz aqui? Como entrou? — Questionou, enquanto tentava normalizar sua respiração.
— Eu... Eu vim entregar uma coisa. — Respondeu corando. — Eu pensei que você estivesse fora. Eu usei minha chave.
— Eu não vejo nada em suas mãos. — Retrucou mal humorado.
— Está na cama. — Apontou para o embrulho que havia preparado e voltou a olhá-lo. — Eu tenho que ir. — Disse se afastando e tentando segurar as lágrimas, que a frieza dele  causava.
— Ana, espere. — Pediu e seu coração pulou em seu peito.
— Sim? — Respondeu se virando e esperando que pedisse para que ela ficasse. Que dissesse que queria conversar, resolver as coisas, e que nada daquilo importava, porque ele a amava também, mas o golpe que ela recebeu com o que ele disse destruiu essas esperanças:
— Pode devolver a chave, por favor?
— A chave? — Perguntou confusa.
— Sim. A chave dá minha casa. Pelas minhas contas o seu contrato acabou e você recebeu seu dinheiro, então já pode seguir em frente. Sem danos.
— Sem danos? — Perguntou magoada. — Quer saber, eu escrevi uma carta, mas não acho que você precise ler. Sabe, Tyler, eu nunca consegui dizer que amava alguém. Nunca havia dito isso a ninguém. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado se expor assim, mas por alguma razão eu sentia isso por você. Eu sentia isso por você e te disse.  E fazendo isso, eu não só coloquei meu emprego na reta, como a única chance de cura que minha tia tinha, mas eu coloquei também meu coração. Tudo isso pra ficar com você. 
— Então você nunca pensou em aceitar o dinheiro? Ou achou que eu fosse burro o bastante para não descobrir? — Perguntou chateado.
— Viu? Você não escuta. Parece que você fecha os ouvidos. Eu acabei de dizer que amo você e você me pergunta se era o dinheiro? — Questionou irritada e ele recuou. — Pare de sentir pena de si mesmo por um minuto e pense: será que não tem nada em você que fez com que eu me apaixonasse de verdade? Quer saber? Esquece. Você diz que não suporta o olhar de pena das pessoas, mas você mesmo se olha assim. — Disse passando por ele.
Ela realmente não esperava que ele fosse tão cego ao não notar que ela tinha se entregado de corpo e alma naquela relação. Relação fracassada.

— A propósito, o cheque que seu pai me deu pelos meus serviços está em cima da sua cama, junto com a carta. E é como você disse: sem danos. Aqui está sua chave. — Disse entregando à ele o objeto metálico e saindo, o deixando ali, parado sem saber o que dizer. 
                     CONTINUA...


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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 15



— Doutor Patz...

— Olá, Ana. Eu vim para ver me filho.

— Ele está no escritório. Eu vou avisar que o senhor está aqui.

— Está bem. Eu estarei na sala.

Ana foi para o escritório com as mãos ainda tremendo.

— Tyler, seu pai está aqui.

— Ele disse que viria. Não sabia que seria hoje.

— Ele está te esperando na sala.

— Tudo bem? Você parece pálida.

— Eu estou bem. Você vai contar à ele? Sobre nós?

— Vou. Qual o problema?

— Eu... Eu não sei o que ele vai pensar.

— Ele ficará feliz, Ana. Vem.

— Mas eu ainda preciso falar com você.

— Podemos conversar quando ele for embora, tudo bem? — Tyler perguntou e Ana suspirou.

— Está bem. — Respondeu indo para a sala com ele.

— Tyler, é bom te ver filho. — Charles disse e Tyler sorriu. — Admito que fiquei surpreso com sua ligação.

— Eu estive pensando sobre isso faz um tempo. Talvez você tenha razão sobre a fisioterapia.

— Isso é ótimo de se ouvir. — Charles disse e Tyler se sentou no sofá, olhando para Ana.

— Mas antes, eu quero contar uma coisa.

— Claro. O que é?

— Eu conheci uma pessoa. E ela é linda, inteligente e maravilhosa.

— Mesmo? Que surpresa. Você quase não sai. Isso é ótimo, Tyler. Quando vou conhece-la?

— Na verdade já conhece. — Ele olhou para Ana outra vez. — Ana. — Disse estendendo a mão para ela, que estava de cabeça baixa na porta da sala. — Essa é a garota que estou falando.

— Ana? Sua assistente?

— Sim. Ela é incrível. — Respondeu com um olhar de admiração.

— Doutor Patz, eu garanto que isso não interfere em minhas funções como assistente e...

— Isso é... Bem, eu não estava esperando por isso. — Ele a interrompeu.

— Doutor Patz, eu...

— Isso é ótimo. É realmente ótimo. Não é ótimo?

— Tudo bem, doutor Patz? — Ana perguntou preocupada.

— Eu? Eu estou ótimo. Não pareço ótimo?
— Na verdade, não muito. Considerando que usou a palavra ótimo umas cinco vezes no último minuto. — Ana respondeu, tampando a boca logo depois de perceber que aquele era seu chefe.

— Eu só estou... Surpreso. Tyler, estou muito feliz por você. Voltando a fisioterapia, pode buscar seus últimos exames para que eu os avalie?

— Claro. Devem estar no escritório. Eu já volto. — Ele disse se levantando. Ana olhou para a porta para se certificar que Tyler havia se afastado.

— Doutor Patz, preciso falar com o senhor.

— Eu também acho e devo admitir que quando Tyler falou sobre o namoro, eu fiquei surpreso. O acordo era apenas...

— Tyler não vai demorar. É exatamente sobre isso que quero falar. — Ana o interrompeu. — Sobre o nosso acordo. Eu não quero mais.

— Ana, você trouxe meu filho de volta. Em todos os sentidos. Não pode desistir agora. O contrato está quase no fim.

— Eu sei disso. Mas eu não quero mais fazer parte disso. Não desse jeito. Eu não consigo mais. Eu realmente...

— Eu entendo que talvez para quem olhar de fora pareça ruim, mas...

— Pareça ruim? O senhor praticamente me pagou uma fortuna porque não queria que eu fosse embora e o deixasse.  Eu não posso continuar com isso. Não mais.

— Sim, mas também porque eu sei dos seus problemas, Ana.

— Meus problemas não tem nada a ver com isso.

— Não mesmo? Eu sei que você precisa do dinheiro para sua tia.

— Como você...

— Isso não importa.

— Importa sim. Você me pagou para que eu não fosse embora; para que eu não o deixasse como as outras fizeram.

— Acho que você está muito nervosa, Ana. — Alertou, tentando acalmá-la. — E eu ainda não paguei você. — A lembrou.

— Nem vai me pagar. Eu não quero seu dinheiro. Não posso mais continuar com isso.

— Por que é tão difícil para você, Ana? Não vê que ele se tornou uma pessoa melhor depois que te conheceu?

— Eu só... Por que você não consegue entender? As coisas estão diferentes agora. Se eu pelo menos puder contar à ele...

— Eu lamento, mas você não pode fazer isso. Receio que ele se sinta traído e volte a se isolar, então todo o progresso que fizemos será perdido.

— E quer que eu faça o que? Que continue mentindo? Escondendo as coisas? Isso é errado.

— Por quê? Por que eu estou te pagando para não deixa-lo como todas as outras fizeram? Por que eu quero que meu filho volte a viver?

— O senhor fala como se fosse um negócio. Somos pessoas. Eu não quero seu dinheiro. Eu não estou aqui por isso. Eu realmente amo seu filho e... Que barulho foi esse? — Ana perguntou quando ouviu uma porta bater. Ela foi até lá. Era o escritório. Tyler havia se trancado. — Tyler?

— Vá embora! — Ele rugiu. — Eu quero os dois fora.

— Tyler o que aconteceu? Tyler? — Ana perguntou sem ter respostas quando ouviu um barulho do outro lado e correu até a gaveta da cozinha, procurando a chave reserva.

Quando entrou no escritório ele estava caído no chão. Ela correu para perto dele, o chamando.

— Tyler? Tyler, por favor, fala comigo! — Ela se aproximou e o puxou para ouvir seu coração. As batidas estavam lentas e baixas. — Senhor Patz! — Ela gritou e Charles correu até onde eles estavam, já ligando para a emergência. Ele havia ido de táxi e o carro de Ana era muito pequeno.

— Tyler. Você está me ouvindo? Tyler, por favor... — Ela sussurrou bem baixo. — Eu amo você, então, por favor, não me deixa. Por favor, você não pode. — Disse agarrada a ele.

A ambulância chegou alguns minutos depois e afastaram Ana dele, o colocando em uma maca e o levando.

No hospital só permitiam a entrada de familiares. Charles já estava lá dentro com Tyler, enquanto ela continuava ali, andando de um lado para o outro sem ter notícias.

Algum enfermeiro deve ter ficado com pena dela e avisado Charles, porque após alguns minutos ele apareceu e a levou para o quarto onde Tyler estava internado. Alguns médicos puxavam seus batimentos cardíacos.

— Eu posso entrar?

— Ainda não. Escute, Ana, eu sei que talvez você não queira falar comigo sobre isso, mas... Eu não espero que você acredite, Ana, mas quando lhe ofereci o dinheiro, eu fiz porque vi que você era diferente. Vi que você fazia Tyler ser diferente.

— Como pode ter visto isso se nem o visitava?

— Ele me ligou mais de uma vez reclamando de você. Ele nunca se importou o bastante para reclamar de alguém, mas de você sim. Eu pude ver que existia alguma coisa ali, então fiz você ficar. É claro que eu não imaginei que fosse existir alguma coisa além de amizade, mas se isso deixa meu filho feliz, está ótimo para mim. Tyler mudou muito depois que te conheceu.

— Ele... Ele disse alguma coisa?

— Não mudou tanto assim. Ele ainda é muito fechado.

— Então como?

— Eu vejo como ele te olha. Eu vi assim que entrei naquela casa hoje e ele contou sobre o namoro. Eu acho que não havia reparado antes.

— Como ele me olha?

— Ana, ele te olha como se estivesse se afogando e você fosse um barco.

— Então por que ele é tão teimoso? Por que tentou me mandar embora tantas vezes?
— Ele passou por muita coisa. Depois que Allyson o deixou... ele não foi mais o mesmo. Ele tem medo de te deixar entrar e se machucar de novo.

— Eu nunca faria isso. Eu não entendo. Ele estava bem, não fez esforços físicos. Ai meu Deus. — Disse paralisada.

 Ana? O que foi?

— Ele ouviu. Ouviu sobre o acordo. Estúpida. É isso que eu sou. Por que eu não contei enquanto podia? — Questionou para si mesma, andando de um lado para o outro.

— Se acalme, Ana.

— Não. O senhor não entende? Ele sabe que o senhor me pagou para ficar. Ele não se acha digno de ser amado e acaba de descobrir que eu fiquei com ele por dinheiro.

— Você não ficou por dinheiro. Já deixou isso bem claro.

— Eu sei disso, mas ele não. Ele devia estar voltando quando ouviu.

— Ana, você não tinha como saber. Além do mais, pode haver outro motivo para a crise.

— Qual?

— Essas crises simplesmente acontecem. E tudo que se pode fazer por ele é trazê-lo até o hospital.

— E o que vai acontecer agora? — Ana perguntou, olhando para o quarto onde Tyler estava internado.

— Estamos tentando estabilizá-lo, mas a água no pulmão não está cedendo.

— E o que vai acontecer com ele?

— Isso depende dele, Ana. Você quer vê-lo?

— Eu posso? — Perguntou e o seguiu quando ele assentiu.
Ao entrar no quarto, haviam agulhas e tubos ligados a máquinas e a ele.

— Eu posso ficar sozinha com ele um minuto? — Ana perguntou.

— Está bem. Vou falar com os médicos dele.

— Tyler... Eu não sei se pode me ouvir, mas eu espero que possa. Por que não me deixou explicar? Você devia ter me deixado explicar, mas isso não importa. — Ela disse chorando e limpando as lágrimas que não paravam de cair. Ela pegou uma das mãos dele e colocou entre as suas. — Tyler, volta pra mim. — Sussurrou fungando. — Eu prometo que não vou mais implicar com você. Eu vou embora se você quiser, mas, por favor — implorou —, por favor, não me deixa. Você tem que voltar.

Ela ficou ali, segurando a mão dele até que Charles voltou.

— Ana, venha aqui fora um minuto. Não terminamos nossa conversa. — Ana deixou as mãos de Tyler e saiu do quarto.

— O que eu disse continua valendo. Eu não quero mais o seu dinheiro. — Ana disse sem tirar os olhos de Tyler.

— Por que não?  Eu sei que você precisa do dinheiro para sua tia. Ela precisa da operação.

— Como você sabe sobre a operação?

— Eu sei de muitas coisas. Não pense que eu quero manipular você, Ana.

— Não? Porque é o que parece.

— Eu só gosto de ter controle das coisas.

— Por isso me pagou para ficar com ele? Por que gosta de controle?

— Eu ainda não paguei.

— Nem vai. Eu não quero seu dinheiro. Não posso fazer isso.

— Por que não? — Perguntou outra vez. — Eu já disse. Ele se tornou um pessoa melhor depois que você apareceu na vida dele.

— Eu só... Por que é difícil de entender?
— Está bem. Talvez essa não seja a melhor hora para conversarmos.

— Foi o que você disse na casa. Até quando pretende adiar isso? — Charles olhou para Tyler, que se mexeu na cama.

— Amanhã de manhã. No meu escritório. Está bem? — Ele perguntou e Ana assentiu, voltando para o quarto.

Tyler acordou, olhando para o lado e encontrando Ana segurando sua mão.

— Oi. Como se sente? — Ela perguntou.

— Doente.

— Você quase me matou de susto.

— Eu quero falar com meu pai, por favor.

— Tyler, sobre o que você ouviu...

— Agora, Anabeth. — Ele disse se livrando das mãos dela, que o tocavam, e ela estremeceu.

— Tá. Eu... Eu vou esperar lá fora. — Disse saindo do quarto

— Bom te ver acordado, Tyler. Como se sente? — Charles perguntou.

— Bem, na medida do possível. Mas preciso acertar umas coisas.

— Claro. O que seria?

— Quero que mude a senhorita Miller de cargo.

— Mudá-la de cargo? — Perguntou confuso.

— É muito simples, eu não quero que ela seja dispensada, porque além de eficiente, ela precisa do emprego. Mas também não a quero perto de mim.

— Por quê? Pensei que estavam se dando bem. Pensei que gostasse dela, Tyler, você mesmo disse.

— E pensei que ela estivesse comigo por mim mesmo, mas parece que me enganei sobre muitas coisas.

— Tyler, eu sei que não sou o melhor pai do mundo, eu devia ser mais presente, mas até eu posso ver que ela se importa com você.

— Comigo ou com o dinheiro que você vai pagar à ela?

— O que? Não, Tyler.

— Vai negar que não ofereceu dinheiro à ela para que não fosse embora?

— Você não entendeu, filho.

— Eu estava perto da porta e ouvi vocês conversando. Ela queria ficar longe de mim? Pois bem, ela vai, mas ela me ajudou muito durante esse tempo. Quero que a mantenha até o fim do contrato. Mas a quilômetros de distância de mim.

— Tyler, você não entende o erro que está cometendo.

— Talvez sim, talvez não. Não importa. Eu não vou ficar na minha casa de qualquer jeito.

— E para onde vai? Não vai se isolar de novo, filho. — Pediu. — Você ia começar a fisioterapia e...

— Não vou me isolar.  Mas não posso ficar lá. Não agora.

— Isso é uma pena, Tyler, mas eu conheço você o bastante para saber que não vai mudar de ideia. Vou falar com ela.
— Ótimo. Se ela quiser vir aqui, diga que estou dormindo. Não quero vê-la. — Charles assentiu e foi até a sala de espera.

— Doutor Patz, como ele está? Eu posso vê-lo? Eu sei que não sou da família, mas...

— Ele está dormindo. Ele precisa descansar.

— Eu ouvi o médico falando que foi um tipo de crise respiratória. Eu não entendo...

— Eu entendo agora. Está tarde, Ana. Vá para casa. Descanse. Preciso que venha até meu escritório amanhã cedo.

— Mas o Tyler...

— Você estava certa. E ele não precisa mais dos seus serviços.

— Não precisa... Como não? Foi alguma coisa que eu disse? Eu sei que falo um monte de besteira, mas eu posso...

— Não, Ana. O único que está fazendo uma besteira aqui é meu filho, mas não há nada que eu possa fazer. Você tem razão. Ele ouviu nossa conversa. Ele pensa que eu paguei você para ficar com ele.

— O que? Eu preciso explicar. Ele tem que me deixar explicar.

— Se coloque no lugar dele, Ana. Se tivesse ouvido o que ele ouviu, fora de contexto, também não julgaria? Também não iria querer se esconder?

— Mas isso é loucura. Ele não pode me afastar assim.

— Ele entende que você precisa do emprego e até mesmo ele reconhece que você é uma ótima profissional, então ele pediu para mantê-la até o final do seu contrato.

— Mas será possível? Vocês não entendem que eu não estou aqui pelo dinheiro? Tudo bem, ele era horrível comigo no começo e agia como um idiota às vezes, e talvez no começo fosse, mas não é mais pelo dinheiro. É diferente agora.

— Por quê? Por que você o ama?

— Como o senhor sabe?

— Ninguém faria tanto esforço para ficar perto de alguém que apenas tolera. E do mesmo jeito que percebi como ele te olha, percebo como você olha para ele. Você o ama.

— Amo. — Respondeu sem hesitar.

— Vá para casa, Ana. Dê um tempo à ele. Talvez ele perceba a estupidez que está fazendo e volte atrás. — Ana assentiu e saiu do hospital, sentindo sua garganta fechar.

Tudo que ela temia aconteceu. Tyler havia descoberto da pior maneira e não lhe daria chance de explicação.

Ela chegou ao apartamento e Maggie estava na sala; ela tentou correr para o quarto, mas não conseguiu.

— Ana? O que aconteceu?

— Ele sabe, Maggie. Ele sabe sobre o acordo. Eu estraguei tudo. Eu sempre estrago tudo.

— Ah, Ana. Eu sinto muito. O que ele disse? — Perguntou.


— Ele não disse nada. Pediu para o doutor Patz me transferir. — Respondeu sem emoção na voz.

— Eu sinto muito. Sinto que você esteja sofrendo, Ana.

— Sofrendo? Eu não estou sofrendo.  Por que estaria? Por que o homem para quem entreguei meu coração, corpo e alma não quer nem me dar a chance de explicar por que eu fiz o que fiz?

— Ana. — Maggie disse se aproximando e tentando abraça-la, mas Ana se afastou, abraçando o próprio corpo e andando de um lado para o outro.

— Tudo bem, Maggie... Quer saber? Eu não preciso dele. Sempre fomos nós três. Você, a tia Louise e eu. Eu nunca precisei de ninguém para ficar do meu lado. Eu não tenho um cara do meu lado desde que tinha oito anos. E você sabe no que o ultimo terminou. — Disse, referindo-se ao seu pai.

— Ana. — Maggie a chamou outra vez, mas ela continuou andando, lutando contra as lagrimas que fechavam sua garganta.

— E quer saber o que mais? Eu vou atrás da profissão que eu quero. Vou terminar esse maldito contrato e assim que o Charles me der o cheque, vou entregar direto para o Tyler. E vou seguir com a minha vida e... Mesmo que a tia Louise não consiga vencer o câncer e você se case com o Jackson e eu fique sozinha de novo, vai ficar tudo bem. — Disse encostando na parece. — Eu vivi os primeiros oito anos da minha vida completamente sozinha com alguém que não me queria e posso viver o restante dela. Eu vou dar um jeito. Eu sempre dou.

— Ana, por favor. Você está me assustando. — Maggie pediu, se aproximando dela, que deslizou pela parede e se sentou no chão; não conseguindo mais lutar contra suas lágrimas.

— O que há de errado comigo, Maggie?

— Ana...

— Eu não quero mais ficar sozinha. Eu o amo tanto. O que tem de errado comigo? Por que eu simplesmente não contei pra ele? Eu não faço nada direito. Talvez Julian tivesse razão em querer me mudar.

— Não. Ele não tinha. Julian foi um cretino que destruiu sua infância e você não vai dizer isso novamente.

— Então por que ele não me deixa explicar? Como ele pode duvidar de como eu o amo? Eu entreguei tudo que eu tinha pra ele. E agora que ele ficou com tudo, eu me sinto tão vazia.

— Isso vai passar, Ana. — Ela disse a abraçando e dessa vez Ana não se afastou.

— Isso dói.

— Eu sei, querida, mas vai passar. Você vai se reerguer, ele vai te perdoar.

— Não vai, não. Você tinha que ver a cara dele. Eu o traí. Isso foi pior do que deixa-lo.

— Tudo bem, Ana. Tudo vai ficar bem. — Disse, a puxando para o sofá.
Ana chorou tanto que acabou adormecendo com as lágrimas como companhia.

~*~*~*~*

Ao acordar, olhou para o relógio. Faltavam duas horas para encontrar Charles em seu escritório. Ela se olhou no espelho e estava horrível. Seus cabelos desgrenhados, os olhos vermelhos e o rosto manchado e inchado pelas lagrimas do choro da noite passada. Ela tinha medo que quando Tyler descobrisse, ele se machucasse, mas foi ela quem acabou saindo destruída de tudo isso.

                        CONTINUA...

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Ela me deixa louco - Capítulo 14





— Maggie veste alguma coisa! — Ana gritou, enquanto tampava os olhos de Tyler e os seus, já que Jackson não estava tão vestido.

— Pode abrir os olhos, Ana. — Maggie disse ainda envergonhada.

— É seguro? — A morena perguntou com os olhos cobertos.

— Ana! — Maggie disse e Ana a olhou. Ela havia colocado um vestido que estava amassado e Ana bem sabia o motivo.

— Eu só queria confirmar. Cadê o Jackson?


— No quarto, se recompondo.

— Eu não queria atrapalhar, mas eu pensei que íamos manter a sala como área neutra.

— Íamos, mas nós meio que nos empolgamos.

— Meio?

— Ai meu Deus, Ana. Não estamos sozinhas, ok? Podemos falar nisso depois? Quem é seu amigo? — Perguntou, olhando para Tyler.

— Eu nem lembrei de apresenta-lo. Maggie, esse é o Tyler. Tyler, essa é Maggie. Devidamente vestida é claro.

— Ana Grace! — Ela gritou e Ana riu. — É um prazer Tyler... Mas você não me é estranho. Já nos conhecemos?

— Eu acho que não. — Respondeu ainda constrangido.

— Espera... Eu me lembro. Tyler Smith... Ana, ele é o odiador de gatos! — Maggie disse e Ana corou.

— Eu já disse que não é pra chamar ele assim. Eu vou pegar o Chris depois. — Ana disse e olhou se desculpando para Tyler, que sorria. — Desculpe.

— Eu era o odiador de gatos, mas o peludo e eu nos entendemos.

— Isso é ótimo, porque não podemos ter animais aqui no prédio.

— Oi, gente... — Jackson disse saindo do quarto.

— Jackson, você não tinha aquela coisa para fazer? — Maggie perguntou.

— Que coisa? — Perguntou perdido.

— Aquela coisa do escritório.

— Hoje é domingo, Maggie. — Respondeu como se fosse óbvio e Maggie respirou fundo, o pegou pela mão.

— Aquela coisa que nós íamos fazer, Jackson... Foi um prazer conhecer você oficialmente, Tyler, mesmo que, pelo que a Ana fala, eu sinto como se já o conhecesse. Ela fala sempre em você.

— Eu não falo sempre. — Ana retrucou corando.

— Não acordada, não é? — Maggie disse com um sorriso malicioso, que fez Ana corar ainda mais. — Nós temos que ir. Foi um prazer, mesmo considerando as circunstâncias. — Acrescentou e saiu com Jackson.

— Um dia você vai ter que me contar sobre esses sonhos. — Tyler disse segurando na cintura dela.

— Eu poderia, mas eu prefiro mostrar. — Respondeu e ele a olhou com desejo, a puxando para um beijo.

— Eu pensei que a sala era território neutro.

— Maggie quebrou o pacto primeiro. — Disse enquanto ele beijava seu pescoço.

~*~*~*~*~*

Uma semana havia se passado, os dias transcorreram rapidamente e já era segunda-feira de novo, mas Ana ainda não sabia o que fazer sobre seu problema do contrato.

— Maggie... Tem um minuto? — Ana perguntou.

Faltava algum tempo para ela ir para o trabalho e ela precisava conversar com a prima antes de ter que encarar Tyler outra vez.

— Claro. O que foi Ana?

— Eu tenho um problema, mas não sei o que fazer.

— Me conta. Eu sou ótima em resolver problemas.

— É sobre o Tyler.

— E qual o problema? Você parece apaixonada e ele não está muito longe.

— Esse não é o problema. O contrato que eu assinei com o pai dele é.

— Eu não estou entendendo Ana.

— Tá. Nas primeiras semanas, Tyler era terrível comigo. Então eu fui até o doutor Patz para pedir demissão. Ele disse que eu era a pessoa que mais havia aguentado ficar e que se eu ficasse até o final do contrato, que é de um ano — explicou —, ele me daria um bônus no valor de R$ 200.000,00. — Maggie ouvia com atenção. — As coisas são diferentes agora. Eu não estou mais com ele pelo dinheiro. Eu amo o Tyler. Realmente amo e tenho medo do que ele pode pensar sobre o acordo.

— Você precisa contar para o Tyler primeiro.

— Mas...

— Ana, olha pra mim. — Maggie pediu e ela olhou. — Do que você tem medo?

— Tenho medo que ele não acredite em mim. Que ele acredite que eu só estou com ele pelo dinheiro e não é verdade.

— E qual é a verdade?

— A verdade é que eu o amo tanto que as vezes parece que meu peito vai explodir de tanto amor. Eu nunca pensei que fosse me sentir assim com alguém. Mas eu sinto. Eu o amo tanto que a ideia dele me afastar e se isolar de novo acaba comigo.

— Então você sabe o que deve fazer.

— Eu sei?

— Sabe. Você sabe que ele vai se magoar e pode até ficar chateado com você por um tempo pelo contrato, mas ele vai te perdoar.

— Eu não sei, Maggie.

— Ana... Eu vi como ele te olha. Ele vai te perdoar. Mas sabe o que ele pode não perdoar? Uma traição sua. E se ele souber disso por outra pessoa, é isso que vai ser, uma traição.

— E o que eu faço? Só... Digo... Ei, eu tentei ir embora, mas seu pai me pagou para não te deixar, mas deixou de ser pelo dinheiro há muito tempo, porque eu amo você agora?

— É. É isso que você tem que dizer, Ana. A verdade. Mas não com essas palavras.

— Eu não sei, Maggie. Não sei se posso fazer isso.

— Você pode tentar. — Ela disse e Ana suspirou.

— Eu vou fazer isso. Eu preciso me livrar disso. Mesmo que eu não receba o dinheiro. Não me importo.

— Ana, eu sei que você quer ajudar minha mãe, mas você não pode salvar o mundo. E, além disso, o tratamento que ela está fazendo parece estar funcionando.

— Eu sei, mas queria poder ajudar a tia Louise. Ela fez tanto por mim. Se não fosse por ela eu ainda estaria em Chicago... Com ele.

— Ei... Não pense nisso. Agora vamos. Eu tenho que ir ver minha mãe e você tem que ir ver o odiador de gatos que não odeia mais gatos.

— Não dá para chamar ele pelo nome?

— E qual seria a graça? — Maggie perguntou saindo do apartamento com Ana.

~*~*~*~*~*~

Ana estava quase chegando na casa, quando seu celular tocou e ela atendeu.

— Ana? É o Jack...

— Hã... Oi, Jack...— Ela disse sem jeito.

— Você ainda está com vergonha.

— Difícil não ficar depois do que eu vi.

— Sobre aquele fim de semana...

— Não precisa explicar. Eu estava lá. Eu vi como acabou.

— Então... Sobre isso. Foi mal. Apesar de tudo, é seu apartamento também. Devíamos ter ficado só no quarto.

— Eu não quero ser grossa, mas existe uma motivo para essa ligação ou o único propósito é me fazer corar? — Ana perguntou e ele riu.

— Tem. Mais uma vez, desculpe por aquilo. O caso é que Maggie não atende minhas ligações desde aquele dia. Acho que fiz alguma coisa. Mas não tenho certeza. Esperava que você pudesse me dizer.

— Está bem. O que você fez exatamente?

— Esse é o problema. Eu não acho que tenha feito nada de mais. Na verdade, eu acho que sua irmã barra prima é meio bipolar.

— Por que diz isso? — Perguntou curiosa.

Porque eu disse à ela que ela estava bonita e ao invés de dizer obrigado como qualquer mulher normal, ela surtou me perguntando o que eu queria dela para dizer isso. — Ana pensou por um tempo. — Foi de um segundo ao outro. Em um tempo ela estava sorrindo e, assim que eu a elogiei, ela surtou.

— Ah! Isso faz muito sentido.

— Pra quem? — Jackson perguntou confuso.

— Quando éramos criança, Maggie tinha uma quedinha por um garoto da nossa sala. Então ela deu um soco no braço dele e ele saiu chorando.

— Você tem uma moral nessa história, certo? Uma que não acabe com ela me agredindo de preferência.

— Maggie não reage muito bem aos relacionamentos

— Isso não é bem uma novidade para mim, Ana. Quer argumentar mais?

— Ela sempre dá socos nos caras de que ela gosta. Não socos de verdade. Está mais para socos mentais.

— Socos mentais? — Perguntou perplexo.

— É, sabe?  Algumas perguntas, uns pequenos surtos e um pouco de paranoia.

— Era para eu me sentir melhor? Porque não me sinto.

— Ela é assim. — Ana disse como se fosse óbvio.

— Por quê?

— Pra ver se você não vai sair correndo e chorando.

— Ela sabe que isso não faz o menor sentido, não é?

—Talvez. Mas ela ainda está em negação sobre o que sente por você. Talvez ela quisesse manter a relação de vocês em segredo, então minha chegada ao apartamento a obrigou a jogar tudo no ventilador. Ela vai melhorar. Dê um tempo a ela.

— E o que eu faço nesse meio tempo?

— Continue sendo o cara pelo qual ela se sentiu atraída e não durma com outras garotas. Eu conheço sua fama.

— Eu gosto da Maggie. Não tenho saído com ninguém. Isso não é um problema.

—Então você não tem com o que se preocupar. Eu tenho que desligar, Jack. Boa sorte com a Maggie.

Ana desligou o celular e entrou na casa sendo recebida por um beijo. Depois que ela se recuperou, o olhou. Ele estava sorrindo.

— Alguém sentiu saudades.

— Você nem imagina.

— Eu vi você no sábado. — Ela disse com um sorriso bobo. Também estava morrendo de saudades dele.

— Mas não ontem. — Argumentou, voltando a beija-la.

— Nos falamos pelo celular. — O lembrou, soltando um gemido quando ele mordiscou seu pescoço.

— Não posso beijar você pelo celular. E eu gosto de beijar você.

— Eu gosto de ser beijada por você. — Disse tirando a camisa dele, o fazendo sorrir.

— Eu acabou de lembrar... — Ele interrompeu os beijos, a puxando pela mão e a levando até o escritório.

— Sua poltrona...

— Chris trouxe ontem. Ele é realmente bom.

— Eu disse que era.

— Agora é só manter o Peludo longe. — Ele disse se sentando e a puxando para si.

— O que está fazendo? — Perguntou sorrindo, já montada em seu colo.

— Você me mostrou um de seus sonhos aquele dia no seu apartamento.

— Mostrei. Duas vezes. — Concordou, sorrindo com as lembranças.

— Então eu quero mostrar o meu. — Respondeu sorrindo malicioso.

— Sério? Na poltrona?

— O que eu posso dizer? Eu passava muito tempo aqui. — Apontou, fazendo-a sorrir. — Quase esqueci. Meu pai ligou ontem.

— Ligou? Por quê?

— Ele disse que vai tentar vir essa semana para falarmos sobre a fisioterapia. — Respondeu e ela empalideceu.

— Isso é bom.

— Ei, que cara é essa? — Tyler perguntou.

— Que cara?

— Essa cara. Parece preocupada.

— Na verdade... Eu queria falar com você sobre uma coisa.

— Tudo bem. Pode falar.

— Tá, mas pode colocar a camisa primeiro? Porque se não, eu vou me distrair. — Disse e ele riu, mas, assim que percebeu que ela falava sério, se levantou e começou a se vestir.

Depois de vestido, ele se sentou na poltrona e Ana em seu colo outra vez.

— Você lembra que eu fui contratada para ser sua assistente, não é?

— Lembro...

— E que todas as outras que seu pai contratou foram embora? Você se livrou delas, lembra?

— Ana, o que isso...

— Eu não disse tudo sobre o meu contrato, Tyler, mas quero contar agora.

— Está bem. O que você quer me dizer?

— Eu... — Ana foi interrompida pela campainha e gemeu de frustração. Tyler não recebia visitas, então ela não sabia o que esperar. — Eu atendo. — Disse, caminhando até a porta e pensando no melhor jeito de contar a verdade, mas quando abriu a porta a verdade apareceu.

— Olá, Ana.

— Doutor Patz...

                       CONTINUA...